12/14/2018
12/11/2018
p o é t i c a s - d o - d e s a s t r e
TESSITURAS DO DESASTRE
Nilson Oliveira
“Diante dos meus olhos, um desmoronamento”
Giorgio
Caproni
O desastre não é
um fenômeno ou acontecimento, mas uma experiência de pensamento, «pensamento do
desastre» (baseado na concepção de Maurice Blanchot): é o que se abre no limiar
de toda extremidade. A desextensão, sem o efeito rigoroso de uma destruição. O
desastre é o que regressa, num sentido de ‘retorno ilimitado’, com efeito,
‘ele’ seria sempre “o desastre depois do desastre”. De outro modo, “é o que
desliga aquilo que está ligado”, interrompendo a ordem das coisas. É a cesura mais silenciosa: des/astre. Nesse
caso, o desastre, tal como pensamos, é o que se efetua aquém de qualquer
domínio, «fora de todo poder», é o próprio “contratempo: a desordem nômade”.
⁂
«Poéticas do
desastre» são decorrências de um agenciamento coletivo, com as atenções viradas
para as erosões do presente. Efetivamente, operando pelas fendas da literatura,
com Lima Barreto e Maura Lopes Cançado, no limiar de alguns dos seus escritos, os
Diários. Com efeito, a partir de uma descida vertical no coração das
respectivas obras, sensível às nuances e metamorfoses, com atenção as rasuras,
linhas (e movimentos), mas também aos descarrilamentos, as falhas, silêncios e rupturas,
no anseio de depreender - entre o mais fundo e a instigante descida aos abismos
da criação literária. Descida vertiginosa aos infernos dos diários, «Cemitério
dos Vivos» e «Hospício é Deus». Duas escritas obstinadas das quais derivam
testemunhos, acontecimentos que oscilam entre fragmentos de dias insuportáveis,
pequenos júbilos, espetros e inquietações. Dois raros momentos da literatura.
Duas singularidades, escrituras cujas linhas se cruzam num núcleo essencial: a
escrita contra a clausura. Ou seja, a escrita do diário como modo de deslocamento
do mais sombrio, experiência através da qual o gesto de escrever implica em
traçar uma passagem fundamental: descida aos infernos (das casas manicomiais),
para o impossível do mundo. Tal como diz Lacoue-Labarthe, pensando a jornada de
Ulisses: “A experiência de Ulisses não é ela própria uma mera navegação; nem
mesmo o furor do retorno. Ela culmina na travessia da morte, a descida aos
infernos”.
⁂
O laboratório de
Criação Literária «Poéticas do desastre» se realizou em três módulos, durante o
segundo semestre de 2018, na Casa das Artes.
Foram encontros
intermitentes, férteis de êxodos e avizinhamentos, atados por uma intensa zona
de flutuação, convergência sutil entre afetos e errâncias. Trânsito mais
heterogêneo, nexo entre escritores, poetas, artistas, articulados na direção de
uma experiência cujo ponto de partida consiste em fazer do encontro um processo
de criação.
Como não se sai
ileso de algumas experiências, os textos delineados nesses «Cadernos de
Laboratório» são fragmentos dessa jornada, tessituras moldadas a partir de
múltiplas linhas de transcriação, dobra entre o testemunho e o porvir;
acontecimento transitivo cujo ir e vir conforma uma espécie de “eterno retorno
do outro escritural”.
* * *
OS “COLETES AMARELOS” MOSTRAM O QUANTO O CHÃO SE MOVE SOB OS NOSSOS PÉS
Por David Graeber
Tradução: João Camillo Penna
«Tradução do artigo do antropólogo norte-americano, David Graber,
sobre os Gilets Jaunes, postado (FB) por Tatiana Roque, publicado no Le Monde e
no site anarquista Infoshopnews»
f o n t e :
3/28/2018
«alguns espectros da poesia em Belém hoje»
LABORATÓRIO DE CRIAÇÃO LITERÁRIA
« as pequenas
fabulações do contemporâneo ou alguns espectros da poesia em Belém »
Datas e linhas
gerais do laboratório:
17 a 20 de Abril
2018 | 16 às 19h
O DESASTRE TOMA
CONTA DE TUDO
de Ney Ferraz Paiva
15 a 18 de maio 2018
| 16 às 19h
A INTRUSA
de Izabela Leal
12 a 15 de junho
2018 | 16 às 19h
A LETRA DA ÁGUA
de Luciana Brandão
Carreira
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Inscrições:
literaturafcp@gmail.com
Casa das Artes: das
9h00 às16h00
Valor de 20,00 |
Fone: 3323.0350
12/13/2017
LANÇAMENTO: «cadernos de oficina | poéticas do laboratório»
p r o g r a m a ç ã o
# ABERTURA: «CÉLIA JACOB»
Diretora da Casa das
Artes
# VÍDEOPROJEÇÃO: «O LIVRO PORVIR»
Vídeo produzido
durante o laboratório de criação literária
Direção: «Felipe
Pamplona»
# RECITAL: «POÉTICAS DO LABORATÓRIO»
«Alcione Hummel»
«Mauricio Borba Filho» «Joseana de Souza» «Rogério A. Tancredo» «Lucas
Damasceno» «Danielle Ramos» «Harley Dolzane»
«Vanusa do Rego Barra» «Olavo Hummel» «Lourival Castelo Branco» «Wellington
Romário Alves» «Solange Ribeiro» «Igor Pereira» «Diego Mesquita» «Rodrigo Britto»
# LANÇAMENTO: «CADERNO DE OFICINA / POÉTICAS DO LABORATÓRIO»
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Dia 14 de dezembro, às 18h
CASA DAS ARTES
Praça Justo Chermont, nº 236 (Nazaré) Belém
Informações: (91) 32784578
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A ESCRITA
QUE VEM
Os textos que cobrem as páginas a seguir
são testemunhos de um acontecimento em-comum – experiência de um fazer-juntos –
traçada nas entranhas do «Laboratório de Escrita Literária», realizado na Casa
das Artes, no período de abril a junho de 2017. Exercícios de crítica e
criação, intermediados por um desejo oscilante, entre os afetos e a escrita,
modulados por uma escuta sensível – sem juízos ou receios – atenta à escrita
que vem.
Em outra medida, podemos dizer, sobre a
ideia do «laboratório», que se tratou de uma jornada para dentro de uma
experiência cujos desdobramentos, em avanço para além do sossego, implicaram
numa espécie de jogo escritural, no qual – como diz Duras – “a escrita é o
desconhecido”, “vem com o vento” (MD,1994).
É o próprio porvir, repetição que não
cessa, movimento cujos laços se revelam a partir do limiar da página branca.
Com efeito, no cotidiano do «Laboratório»,
o cuidado em não transmitir um ensinamento ou infligir um manual de escrita. A
jornada foi desde sempre outra, a mais simples e direta, traçar encontros com o
intuito de viver-juntos o comum de uma experiência com a literatura. Ou seja,
ler, ouvir, viver a intensidade do texto literário. Povoar o branco, semear
afetos. Perceber as cintilações da prosa e a ideia da poesia, e vice versa.
Exumar os silêncios, experimentar, ouvir, criar situações possíveis para a
escrita que vem. E nesse transcurso – graças à força da comunidade –, os
lampejos e derivações do escrever.
São esses lampejos que cobrem as páginas
a seguir – efeitos da inusitada experiência de laboratório –, uma profusão de
escritas, desatreladas de um ordenamento linear. São antes de tudo curvas,
dobras, intermitências, a pura delícia sem caminho, fora de qualquer pretensão
à novidade ou renovação (das formas do escrever). As escritas a vir e seus
problemas estão lançados numa dimensão sensível do escrever, vem da tinta da
alegria (negra como a superfície da noite), são lisas e fugidias como o vento.
Portanto, essas escritas são feixes de singularidades, modos, atos,
experiências movidas por uma potência vital, «o amor pela escrita».
Nilson Oliveira
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12/05/2017
«Bob Dylan, a liberdade que canta» | de Daniel Lins
“Como ser
simplesmente Bob Dylan no século XXI, quando seu nome brota como uma lenda do
século precedente, e condensa em si mesmo uma década louca que revolucionou as
vidas, algo entre Kennedy, Fidel Castro, Che Guevara, Martin Luther King, os
Beatles, Jimi Hendrix, Janis Joplin, Frank Zappa, José Celso Martinez Corrêa,
por exemplo? É pertinente observar que Bob Dylan é o músico com mais letras
citadas em processos nos EUA: Juízes e advogados usam suas canções em
argumentos de defesa ou sentenças de seus clientes, sem negligenciar o humor
presente na poesia, no canto, em suma, na rebeldia dylaniana, sem bandeira nem
camisa. Na verdade, a tarefa do humor na arte poética do artista é
imprescindível, até quando o tema é severo, grave. Refiro-me à canção Joey, do
álbum Desire que tem como cenário a figura do gangster: Joey Gallo, cuja
trajetória é contada em onze minutos, abarcando seu trágico final, baleado
quando estava almoçando com a família em um bar.
O que, de modo
difuso, e, nem sempre evidente, caracteriza sua aptidão e vontade de viver, é a
destreza, é o jeito manhoso de sacudir a existência, de exigir muito mais do
que ela se limita a oferecer, retirando-a do marasmo, do sono profundo ou do
desmaio do desejo de nada mais desejar. Em suma, em relação ao cotidiano
flácido e à repetição entediante de uma existência que recusa a singularidade e
busca abrigo na homogeneidade, travando-a, embaçando-a, Bob Dylan canta a
diferença velada cuja energia, uma vez desembaraçada da demência ou do ócio não
criativo, põe-se a surfar, a ondular, a agitar e a transmutar pessoas, lugares
e coisas por onde passa”.
Bob Dylan - A Liberdade que Canta | Daniel Lins
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L A N Ç A M E N T O
A Editora Ricochete fará nesta próxima sexta-feira o lançamento do livro «Bob Dylan, a liberdade que canta» , do filosofo e escritor Daniel Lins
O livro é um ensaio
filosófico-poético sobre o percurso artístico e pessoal do cantor e prêmio
Nobel de Literatura Bob Dylan.
E para incrementar o
entardecer mais belo da cidade, haverá o Show de Leituras com a CorpA de Voz!
Anote na agenda,
esperamos você!
Dia 08 de dezembro, às 17h30
LIVRARIA PALAVREAR
Rua 232, nº 338, Setor
Universitário
Goiânia (GO) - (62) 3086-3204
Entrada: Gratuita
11/30/2017
as possibilidades (múltiplas) do livro-objeto
«OBJETO IMPOSSÍVEL»
as possibilidades
(múltiplas) do livro-objeto
Por Nilson Oliveira
Pois bem, eu lendo esse livrinho –
realmente uma joia –
perguntei a mim mesmo, como é feito
afinal de contas esse troço?
Nathalie Sarraut
Os frutos de ouro
Livro-objeto é um experimento que revigora, no sentido mais aberto,
a ideia do livro. São objetos que brotam e circulam com uma sutileza
improrrogável, resistência mais instigante: leves como o “voo da bicha”. Vem
dos mais diferentes fluxos, planeadas num processo de multiplicidades, do
subterrâneo a superfície e vice-versa, atravessando o mundo – pela
vicissitude tipografia dos seus objetos – constituindo aberturas,
fissuras, brechas, através das quais o livro, na sua dimensão intensiva,
delineia singularidades, ou melhor, cortes, montagens, modos de artesiana. A
imagem do Livro-objeto é fugidia, por vezes são plaquetes, cadernos, álbuns, e
... feitos à mão, “da maneira mais simples, com força de sobriedade, no
nível das dimensões de que se dispõe” (D&G): coladas ou costuradas,
devidamente moldadas pela diferença. Constituindo dessa forma combinações
híbridas, sempre em abjeção às vibrações do mercado. E nessa direção, com
efeito, imprimem um delicado processo de «montagem», movimento em profusão,
papel-imagem-escrita, composição – im-possível – que excede o
limiar das possibilidades.
«Objeto-impossível: as possibilidades (múltiplas) do livro-objeto».
Trata-se de um dobra em torno das práticas de edição, uma troca de
experiências, encontro na cadência do objeto-livro, por outras formas de
composição e «montagem».
p r o g r a m a ç ã o
«AS POSSIBILIDADES
(MÚLTIPLAS) DO LIVRO-OBJETO »
JOSEANA DE SOUZA | edições 1/4
MAURÍCIO BORBA FILHO | Edições do Prego
NILSON OLIVEIRA | Revista
Polichinello
«LANÇAMENTOS & RECITAL »
NEY FERRAZ PAIVA
"Poemas para Max Martins para ler depois
da chuva",
WELLINGTON ROMÁRIO
"Jaé", "Salvo Como
Rascunho" & "Flores Permanentes"
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07 de Dezembro|19h00
- IPHAN-Belém
Av. José Malcher Nº 474 (esquina com Benjamin
Constant)
Informações: (91) 32784578 / revista.polichinello@gmail.com
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